Pequenos municípios do Norte do Paraná querem ser referência em Tecnologia e Inovação
20/06/2022 - 09:19

Notícia extraída da Gazeta do Povo, edição original de Elvira Fantin em 17/06/2022.

 

A região é pequena. São 19 municípios que reúnem 195.668 habitantes. É apenas 1,69% da população paranaense. Em nenhuma das cidades, a população passa de 50 mil habitantes. Trata-se da região 2 do programa Paraná Produtivo, cujas cidades polo são Cornélio Procópio e Bandeirantes, no Norte do Paraná. A região tem como meta potencializar a estrutura de Tecnologia e Inovação já instalada para buscar o desenvolvimento.

O programa, liderado pela Secretaria do Planejamento, é voltado ao desenvolvimento regional, por meio da elaboração de um planejamento a partir de demandas levantadas pela comunidade, que atua diretamente na estruturação do plano.

Apesar do tamanho, a região já é destaque em Tecnologia e Inovação. Há universidades, parques tecnológicos e incubadoras, além de várias empresas de Tecnologia da Informação já instaladas.

O município de Cornélio Procópio forma muitos profissionais na área tecnológica. Conta com campus da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR) e da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp). Em breve será inaugurada também uma unidade do Instituto Federal do Paraná, focada em tecnologia, especialmente nas áreas mecânica e elétrica.

 

Profissionais são incentivados a empreender

“Os profissionais formados aqui são incentivados a empreender e ficar na cidade”, conta Felipe Haddad Manfio, coordenador executivo do Paraná Produtivo na região. Manfio é diretor de relações empresárias e comunitária da UTFPR em Cornélio Procópio e também diretor do Parque Científico e Tecnológico.

“O Paraná Produtivo nos traz uma oportunidade de ampliar tudo isso para a região”, diz. Segundo ele, até então isso estava muito concentrado em Cornélio Procópio, mas há contribuições importantes que podem beneficiar os municípios do entorno e promover o desenvolvimento econômico mais amplo.

“Temos outras áreas com potencial aqui, como o agro e o turismo, por exemplo. Só optamos por começar pela Tecnologia da Informação e Inovação pelo fato disso já estar mais estruturado”, explica Jeison Arenhart De Bastiani, presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Cornélio Procópio, que foi efeito presidente da governança do Paraná Produtivo na região.

Ele cita o turismo náutico, na Ilha do Sol, no município de Sertaneja, na represa Capivara, às margens do rio Paranapanema. Há também o turismo religioso, com a Rota do Rosário, com destaque para o Santuário de São Miguel Arcanjo, em Bandeirantes, e ainda a Rota do Café, um roteiro que resgata a cultura cafeeira da região. Segundo Bastiani, todas essas potencialidades serão trabalhadas no Paraná Produtivo. "Com o planejamento estruturado, vamos buscar parcerias e recursos para investir".

 

Bandeirantes tem o curso de agronomia mais antigo do Paraná

André Luís Andrade Menolli é diretor da Agência de Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual da Universidade Estadual do Norte do Paraná, no campus de Bandeirantes. Ele conta que a Uenp tem o curso de agronomia mais antigo do Paraná e, por isso, a região se destaca bastante no agronegócio. “Temos parcerias com empresas privadas para transferência de tecnologia e registro de patentes”, diz.

Para ele, agora com o Paraná Produtivo todos estão sendo estimulados a ter uma visão geral da região. “A gente deixa de olhar para o próprio umbigo e passa a ter uma visão macro da região, vendo o que pode fazer para (a região) crescer”.

Além disso, segundo ele, o programa proporciona trocas de informações e experiências entre todas as entidades, instituições e lideranças. “É interessante porque a gente passa a ver o problema não só na nossa perspectiva, mas na perspectiva do outro e isso agrega. Tem um significado diferente quando se reúne universidades, empresários, prefeituras. Isso é, de fato, uma verdadeira consulta à comunidade”, pontua.

 

Planos de desenvolvimento envolveram 24 oficinas em 8 regiões

O Paraná Produtivo é voltado a municípios pequenos que ainda não estavam contemplados em planos de desenvolvimento em curso. São 202 munícipios em oito regiões. Os planos dessas regiões foram construídos a partir da realização de 24 oficinas, conduzidas pela Paraná Projetos, órgão vinculado à Secretaria de Planejamento. As oficinas aconteceram ao longo de 2021 com o envolvimento das comunidades.

“Desenvolvemos uma metodologia exclusiva e uma ferramenta de inteligência para a análise de dados”, explica Patrícia Baratieri Atherino, diretora de planejamento da Paraná Projetos.

“Nas oficinas identificamos as potencialidades regionais, bem como as necessidades das regiões”, explica João Gustavo Racca, diretor de administração e finanças do órgão. Segundo ele, o que está ficando agora nas regiões é a governança estrutura, a liderança que vai pilotar o projeto. “Isso é bastante inovador, é um processo totalmente descentralizado e pautado no protagonismo da região”, destaca.

 

 

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